segunda-feira, 2 de maio de 2011

A Viagem

Minha avó materna viveu em Pedro Leopoldo nos anos 20/30. Foi contemporânea de Chico Xavier. Acho mesmo que trabalharam juntos na fábrica de tecidos.
Dona Judith, uma nonagenária, também o conheceu pessoalmente.
-"Um homem muito caridoso", diz ela, os olhos voltados no passado distante.
Lembro-me de um livro autografado por ele, que percorreu as estantes de minha casa por muitos anos.

Além do Horizonte, música de Erasmo e Roberto, foi tema de abertura da 1ª versão de "A Viagem", novela de Ivani Ribeiro.
Era uma trama formidável. Todas as senhoras da rua queriam ser a Dinah e ter um Dr. Cézar como namorado. Depois elas cismaram de frequentar Mesas Brancas. Voltavam com receitas de remédios e indicação de passes.
Elas faziam das sessões espíritas, consultório psicológico e conseguiam respostas fáceis para questões complicadas como problemas conjugais, doenças congênitas, morte prematura, filhos indóceis, pobreza, rivalidades, depressão, angústia, rixas familiares: - "vocês foram inimigos em outra encarnação"; - "vocês estão pagando dívidas", - "é um Encosto".
Algumas se tornaram definitivamente espíritas, outras voltaram para o catolicismo, que era a religião da maioria.

Recentemente assisti, do sofá de minha sala, aos filmes: Nosso Lar e Chico Xavier, dos dois, o melhor. A fotografia ficou maravilhosa, o figurino impecável. Só não concordei com as questões doutrinárias:
- A Bíblia evangélica diz que os mortos não conversam com os vivos.
- Não podemos comparar O Espírito de Deus conversando com Moisés, com os supostos espíritos de defuntos que conversam com os médiuns, como foi explicado no filme.
- Não concordo que ter dois olhos é um luxo, como o espírito disse ao Chico.
- E embora tenha me divertido bastante com a cena, não creio que um espírito evoluído fosse mandar uma pessoa apavorada pelo natural medo da morte, calar a boca e morrer com dignidade. Nem nós, "sem evolução", nos comportaríamos assim.

Em momentos de aflição e dor, o Deus a quem eu sirvo manda-me seres celestiais chamados "anjos", para me socorrer, e me deu "O Espírito Santo", a quem Jesus chamou de O Consolador, para exercer também essa função.

Tenho muitos amigos que professam uma fé diferente da minha. O que nos une não são as crenças, é o respeito mútuo que permite um diálogo rico entre nós.

Acho incoerente quando os que creem na Reencarnação pedem oração por algum problema. Eles acreditam que o sofrimento produz evolução. Nessa lógica, quanto mais sofrimento melhor. Então, pedir a retirada do sofrimento seria postergar a libertação, um adiamento à evolução espiritual.

Dia desses, almoçando com um grupo de 4 ou 5 espíritas, alguém mencionou sobre o falecimento de uma velhinha. Disse que os familiares, que são espíritas, tinham uma melhor aceitação da morte.
Eu, me lembrando da cena do André Luiz chafurdado na lama fedorenta do Umbral, disse que, no meu caso, se eu tivesse essa crença, ficaria apavorada por pensar que um dos meus, depois de perder a vida, estaria ali sozinho, sendo ameaçado por verdugos, sentindo dores, sem água, sem alimento, sujo, com frio, com medo, no escuro total. Anos e anos...

Entre a racionalização e a lógica eu fico com o incompreensível amor de Jesus por mim. Eu me volto para a Cruz.

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